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Até onde os jogos violentos nos afetam?

Título: Até onde os jogos violentos nos afetam?
Data:
29/11/07 - 08:17:51
Por:
Seth the Wolf

 

 

Até onde os jogos violentos afetam a realidade?

Uma pequena análise sobre como os não-gamers vêem os jogadores e seus joguinhos violentos, polêmica que nem Steven Seagal ou Chuck Norris conseguiram.

  Quando eu digo Mortal Kombat, qual a primeira coisa que passa pela sua cabeça? Deve ter sido o sangue exagerado, os ossos espalhados, os gritos de dor. E é exatamente essa impressão que os produtores (Midway) quiseram passar na época.

  Mas, e se eu citar um exemplo mais novo, como Manhunt? Aposto que a maioria que freqüenta este site nem deve conhecer o jogo, e não pode, pois o jogo é classificado como Mature (só para adultos mesmo).

  Citei exatamente esses dois jogos para mostrar que essa polêmica não é de hoje. Nos tempos de Mortal Kombat, no meio da guerra 16-bits entre as gigantes Sega e Nintendo, teve muito falatório: a Nintendo havia proibido o sangue e os fatalities na versão para seu console, enquanto a Sega permitiu tudo que continha na versão arcade de Mortal Kombat, ser passado para os cartuchos do Mega Drive. O resultado disso foi um “massacre” de vendas dos jogos no console da Sega, e um fiasco na Nintendo, o que chegou a gerar até mesmo um processo contra a Sega, movido pela Nintendo. E olha que o Mortal Kombat I do Snes é muito melhor que o do Mega Drive: cenários com backgrounds (o do MD é apenas fundo azul, como na primeira tela), muito mais vozes e gritos, gráficos muito melhores, enfim, a versão do MK I do Snes é muito melhor que a do MK I do Mega. O MK II do Snes, já com sangue, é outra história. Nem a versão do 32X consegue se igualar à do Snes, muito superior.

  A Nintendo, alegando que a Sega estava incentivando a violência nos seus consoles, perdeu a causa (podemos dizer que foi o primeiro pau que a Nintendo tomou da Sega) nos tribunais.

  Uma década depois, com jogos como GTA gerando polêmica, chega às lojas Manhunt, cujo objetivo é matar das maneiras mais nojentas e violentas possíveis. Vendendo relativamente bem, o jogo recebeu uma continuação este ano.

  Agora, como o título da coluna sugere, até onde esses jogos violentos realmente incentivam a realidade? Todos os anos temos casos de idiotas, que ao cometerem crimes, dizem estar sobre o efeito de drogas, e terem sido influenciados pela música, pelos filmes, pela televisão, pela Bíblia, e, pasmem, pelos vídeo games. Citando um caso brasileiro, temos aquele sujeito que entrou no cinema com uma metralhadora e não perdoou ninguém. Na prisão, em uma entrevista para um jornal televisivo, dizia estar sobre o efeito do jogo Duke Nuken, no qual uma cena do jogo o personagem principal entra no cinema e mata uns ETs.

  Não sei se ri ou se chorei após a entrevista, mas de fato fiquei muito indignado. Citando outro exemplo, todo mundo já viu na televisão, coisas que acontecem direto (deve ter até um ranking de quem mata mais), de alunos que entram na escola armados e fazem uma barbárie. Mais da metade dos crimes, mesmo com os acusados todos mortos, tiveram citações de jogos violentos pelos advogados nos tribunais.

  Ainda nos lados da América do Norte, é quase sempre que vemos um jovenzinho coitadinho roubar um carro, sair bêbado atropelando todo mundo na rua, achar que é superman e tentar fugir da polícia a pé, e quando pego, conta tudo, inclusive que um jogo malvadão, um tal de GTA (não diga esse nome três vezes na frente do espelho) o influenciou à fazer aquilo.

  Novamente afirmo que fico muito indignado, e até mesmo chateado, por coisas assim acontecerem. É tão fácil botar a culpa em algo hoje em dia depois de fazer alguma merda, depois fazer uma ceninha de choro e todo mundo fica comovido. Os jogos parecem ser o novo alvo da crítica a respeito dos casos de violência no mundo, inclusive com a participação de ilustres amiguinhos como aquele Senador “eu-odeio-vídeo-games”, no qual eu esqueci o nome agora e gostaria de não me lembrar nunca mais. Pesquisas são feitas, todos tentam provar que jogar vídeo games te deixa violento e te fará sair atirando nas pessoas na rua.

  Infelizmente terei que citar os Estados Unidos, pois é o lugar que mais gera polêmica sobre isso. Como, um país que libera a venda de armas praticamente pra qualquer um na Internet, venda de munição em supermercados, histórico de humilhações supra-elevado nas escolas, venda de bebidas alcoólicas pra qualquer um (falsificação de identidade é o que mais tem por lá), permite que menores de 18 anos tenham carteira de motorista, e uma lista interminável de falta de valores, pode chegar afirmando que o culpado supremo é um filme, uma música, um jogo? AH! E uma pesquisa recente confirma que 40% das lojas americanas vendem para qualquer um (crianças também) os jogos com classificação Mature, 18+, 17+ e jogos classificados pela ESRB como INAPROPRIADOS para menores. Falta de fiscalização, inclusive dos pais que não sabem o que o filho anda jogando no dia-a-dia.

  Nota-se que tudo isso é verdade, ao vermos que o Bush jogou “Mercenaries” antes de invadir o Iraque pra roubar petróleo, vemos também que o Al Capone jogou “Máfia” no seu Atari 2600, e sem esquecer de citar o maior jogador de todos, Hitler, que se baseou no jogo do ET para Nes, pois o jogo era uma porcaria, ele ficou revoltado e resolveu chacinar um pouco.

  Com esta coluna bastante irônica, venho protestar contra essa hipocrisia toda gerada em cima do assunto. Eu tenho 17 anos, desde os 3 anos jogo (ou tentava jogar) vídeo game, meu primeiro contato com um jogo violento foi em Mortal Kombat, com 5 anos, joguei Sword of Berserk no Dreamcast com 10 anos, joguei todos os GTAs, os 2 Manhunts, muitos Halos e Counter-Strikes da vida. Até hoje não senti vontade de matar alguém, nem de roubar um carro, nem de fumar uma macoinha...

  Espero que essa situação seja revertida, pois existem pesquisas que comprovam que os vídeo games fazem bem, inclusive para o raciocínio,velocidade dos olhos, atenção a detalhes, reflexos, etc. Claro que tudo que é usado exageradamente faz mal. Cabe a nós, verdadeiros gamers, que entendemos do assunto, não permitir que essa palhaçada continue ocorrendo. Já convoquei os Power Rangers, e eles disseram que se for preciso darão apoio nessa guerra contra a ignorância.

~~Seth the Wolf~~