Uma pequena análise sobre como os não-gamers
vêem os jogadores e seus joguinhos violentos,
polêmica que nem Steven Seagal ou Chuck Norris
conseguiram.
Quando eu digo Mortal
Kombat, qual a primeira coisa que passa pela sua
cabeça? Deve ter sido o sangue exagerado, os
ossos espalhados, os gritos de dor. E é
exatamente essa impressão que os produtores
(Midway) quiseram passar na época.
Mas, e se eu citar um
exemplo mais novo, como Manhunt? Aposto que a
maioria que freqüenta este site nem deve
conhecer o jogo, e não pode, pois o jogo é
classificado como Mature (só para adultos
mesmo).
Citei exatamente esses
dois jogos para mostrar que essa polêmica não é
de hoje. Nos tempos de Mortal Kombat, no meio da
guerra 16-bits entre as gigantes Sega e
Nintendo, teve muito falatório: a Nintendo havia
proibido o sangue e os fatalities na versão para
seu console, enquanto a Sega permitiu tudo que
continha na versão arcade de Mortal Kombat, ser
passado para os cartuchos do Mega Drive. O
resultado disso foi um “massacre” de vendas dos
jogos no console da Sega, e um fiasco na
Nintendo, o que chegou a gerar até mesmo um
processo contra a Sega, movido pela Nintendo. E
olha que o Mortal Kombat I do Snes é muito
melhor que o do Mega Drive: cenários com
backgrounds (o do MD é apenas fundo azul, como
na primeira tela), muito mais vozes e gritos,
gráficos muito melhores, enfim, a versão do MK I
do Snes é muito melhor que a do MK I do Mega. O
MK II do Snes, já com sangue, é outra história.
Nem a versão do 32X consegue se igualar à do
Snes, muito superior.
A Nintendo, alegando que
a Sega estava incentivando a violência nos seus
consoles, perdeu a causa (podemos dizer que foi
o primeiro pau que a Nintendo tomou da Sega) nos
tribunais.
Uma década depois, com
jogos como GTA gerando polêmica, chega às lojas
Manhunt, cujo objetivo é matar das maneiras mais
nojentas e violentas possíveis. Vendendo
relativamente bem, o jogo recebeu uma
continuação este ano.
Agora, como o título da
coluna sugere, até onde esses jogos violentos
realmente incentivam a realidade? Todos os anos
temos casos de idiotas, que ao cometerem crimes,
dizem estar sobre o efeito de drogas, e terem
sido influenciados pela música, pelos filmes,
pela televisão, pela Bíblia, e, pasmem, pelos
vídeo games. Citando um caso brasileiro, temos
aquele sujeito que entrou no cinema com uma
metralhadora e não perdoou ninguém. Na prisão,
em uma entrevista para um jornal televisivo,
dizia estar sobre o efeito do jogo Duke Nuken,
no qual uma cena do jogo o personagem principal
entra no cinema e mata uns ETs.
Não sei se ri ou se
chorei após a entrevista, mas de fato fiquei
muito indignado. Citando outro exemplo, todo
mundo já viu na televisão, coisas que acontecem
direto (deve ter até um ranking de quem mata
mais), de alunos que entram na escola armados e
fazem uma barbárie. Mais da metade dos crimes,
mesmo com os acusados todos mortos, tiveram
citações de jogos violentos pelos advogados nos
tribunais.
Ainda nos lados da
América do Norte, é quase sempre que vemos um
jovenzinho coitadinho roubar um carro, sair
bêbado atropelando todo mundo na rua, achar que
é superman e tentar fugir da polícia a pé, e
quando pego, conta tudo, inclusive que um jogo
malvadão, um tal de GTA (não diga esse nome três
vezes na frente do espelho) o influenciou à
fazer aquilo.
Novamente afirmo que fico
muito indignado, e até mesmo chateado, por
coisas assim acontecerem. É tão fácil botar a
culpa em algo hoje em dia depois de fazer alguma
merda, depois fazer uma ceninha de choro e todo
mundo fica comovido. Os jogos parecem ser o novo
alvo da crítica a respeito dos casos de
violência no mundo, inclusive com a participação
de ilustres amiguinhos como aquele Senador
“eu-odeio-vídeo-games”, no qual eu esqueci o
nome agora e gostaria de não me lembrar nunca
mais. Pesquisas são feitas, todos tentam provar
que jogar vídeo games te deixa violento e te
fará sair atirando nas pessoas na rua.
Infelizmente terei que
citar os Estados Unidos, pois é o lugar que mais
gera polêmica sobre isso. Como, um país que
libera a venda de armas praticamente pra
qualquer um na Internet, venda de munição em
supermercados, histórico de humilhações
supra-elevado nas escolas, venda de bebidas
alcoólicas pra qualquer um (falsificação de
identidade é o que mais tem por lá), permite que
menores de 18 anos tenham carteira de motorista,
e uma lista interminável de falta de valores,
pode chegar afirmando que o culpado supremo é um
filme, uma música, um jogo? AH! E uma pesquisa
recente confirma que 40% das lojas americanas
vendem para qualquer um (crianças também) os
jogos com classificação Mature, 18+, 17+ e jogos
classificados pela ESRB como INAPROPRIADOS para
menores. Falta de fiscalização, inclusive dos
pais que não sabem o que o filho anda jogando no
dia-a-dia.
Nota-se que tudo isso é
verdade, ao vermos que o Bush jogou
“Mercenaries” antes de invadir o Iraque pra
roubar petróleo, vemos também que o Al Capone
jogou “Máfia” no seu Atari 2600, e sem esquecer
de citar o maior jogador de todos, Hitler, que
se baseou no jogo do ET para Nes, pois o jogo
era uma porcaria, ele ficou revoltado e resolveu
chacinar um pouco.
Com esta coluna bastante
irônica, venho protestar contra essa hipocrisia
toda gerada em cima do assunto. Eu tenho 17
anos, desde os 3 anos jogo (ou tentava jogar)
vídeo game, meu primeiro contato com um jogo
violento foi em Mortal Kombat, com 5 anos,
joguei Sword of Berserk no Dreamcast com 10
anos, joguei todos os GTAs, os 2 Manhunts,
muitos Halos e Counter-Strikes da vida. Até hoje
não senti vontade de matar alguém, nem de roubar
um carro, nem de fumar uma macoinha...
Espero que essa situação
seja revertida, pois existem pesquisas que
comprovam que os vídeo games fazem bem,
inclusive para o raciocínio,velocidade dos
olhos, atenção a detalhes, reflexos, etc. Claro
que tudo que é usado exageradamente faz mal.
Cabe a nós, verdadeiros gamers, que entendemos
do assunto, não permitir que essa palhaçada
continue ocorrendo. Já convoquei os Power
Rangers, e eles disseram que se for preciso
darão apoio nessa guerra contra a ignorância.
~~Seth the Wolf~~