Maior categoria do
automobilismo mundial, o Mundial de Fórmula 1 já ganhou também a presença nosso
querido ouriço. Tudo se data a 1993 e 1994, quando a Sega expandia o seu marketing.
1993 foi um ano essencialmente de Marketing da empresa. Foi a vez de se
consolidar e quem sabe chegar um pouquinho perto do sucesso da sempre imbatível
Nintendo. A escolha não poderia ter sido melhor: num dos anos de maior
competição de Fórmula 1, a empresa inseriu de vez a imagem do ouriço,
consolidando-o como o seu mascote oficial.
Essa história surge
com o patrocínio da Sega à equipe Williams na temporada de 1993, trazendo o
personagem impresso no carro daquele (FW15), capacetes dos pilotos, macacão dos
pilotos e cartazes nos boxes. Além disso, houve todo um Grande Prêmio
patrocinado pela Sega, como será falado mais adiante. A equipe Williams era a mais forte daquela
época, em que os carros tinham menos recursos eletrônicos automatizados,
preponderando o papel do piloto. Para se ter noção da
superioridade da equipe Williams naquele ano, somente a McLaren chegou a
encostar e mais por causa do seu piloto, ninguém mais, ninguém menos que o
Ayrton Senna. Os outros patrocinadores da Williams naquele ano foram: Canon, Elf,
Renault, Camel, Labatt's e Bull.
Os pilotos da
WIlliams em 1993 eram o francês Alain Prost e o inglês Damon Hill. O campeão da
temporada foi o Alain Prost e nos construtores, a Williams foi a campeã. Não
poderia ter sido melhor a escolha da Sega para patrocinar alguma equipe naquele
ano.
A temporada de 1993 da
Fórmula 1
Foto retirada da Internet, origem desconhecida... virou até mesmo camiseta na
época
A temporada de 1993
da Fórmula 1 foi vencida por Alain Prost, que corria com o novato Damon Hill,
após a saída de Nigel Mansell em 1992. O brasileiro Ayrton Senna (considerado o
melhor piloto de todos os tempos) corria pela McLaren havia vencido
o Grande Prêmio do Brasil, numa corrida histórica em que um temporal causou a
primeira entrada do Safety Car na história da Fórmula 1 moderna (até então o
carro de segurança não era usado desde a década de 70, em situação de acidente,
se usava a bandeira vermelha). Neste mesmo ano, Senna ainda ganhou o GP da
Europa, GP de Mônaco, GP do Japão e GP da Austrália. A temporada de 1993 foi a
despedida de Alain Prost, representando o último título da grande era de
campeões da Fórmula 1, com nomes sagrados entre os fãs do automobilismo, como
Nelson Piquet, Senna, Prost, Mansell, dentre outros.
Sobre a Williams de 1993:
FW15
O carro da Williams
era o tradicional carro azul e amarelo. A Sega viu nisso a sua oportunidade de
Marketing e começo uma campanha ostensiva. No carro da equipe Williams, vinha
uma foto do pé do ouriço numa parte do carro em que sugeria que quem estava
apertando os pedais era o próprio Sonic (vide a foto ao lado). As luvas do ouriço também estavam
impressas no carro. Além disso, o macacão dos pilotos possuía o símbolo do Sonic
impresso nele. No capacete dos pilotos, um grande destaque ao Sonic bem no
centro dele, no lugar mais visível do mesmo. O Sonic ainda aparecia na asa
traseira, na sua lateral, no local em que é marcado o número do carro. E para a sorte da
Sega, a equipe foi a campeão daquele ano, para tristeza de nós brasileiros.
O "professor" Alain Prost, que fazia sua despedida da Fórmula 1 naquele ano, foi o
grande campeão.
Vídeo do carro da Williams
on-board no GP da Europa
Repare que o Sonic aparece aos 0:15
Sega European GP
1993
Senna largava em terceiro e é ultrapassado por Schumacher na
largada
Contudo o grande destaque
de 1993 foi o patrocínio da Sega ao Grande Prêmio da Europa de 1993, no circuito
de Donington Park, que voltará a ser utilizado em 2010 na Fórmula 1 como Grande
Prêmio da Inglaterra. Esta corrida foi inteiramente patrocinada pela Sega. Havia
outdoors, banners e placas de Sega e do Sonic para todo lado no circuito. Essa
corrida, curiosamente, guardou uma das grandes preciosidades da Fórmula 1: um
espetacular desempenho de Ayrton Senna e Rubens Barrichello. Havia muitas
críticas sobre a pista devido à ausência de pontos de ultrapassagem, tanto é
assim que para a pista voltar ao mundial de 2010, ela foi bastante alterada.
Ayrton Senna largava
da quarta colocação. Logo na largada ele é ultrapassado por
Karl Wendlinger.
Mas, o grande piloto se recupera e ultrapassa simplesmente todos os
carros da sua frente (incluindo 2 Williams, uma Benetton de Michael Shumacher)
e, assim, já na primeira volta era o líder da corrida. Prost não
acerta bem o seu carro nessa corrida, que foi ainda debaixo de chuva. E na
chuva, o Senna voava ainda mais! Senna vence a corrida, que entra na sua
carreira como uma de suas melhores.
Rubens Barrichello
também dá um show, quase sempre nunca lembrado. O atual mais experiente piloto
da história da Fórmula 1 largava de 14º lugar, para terminar a primeira volta já
em quarto lugar, ou seja, o Rubinho ultrapassou nada mais nada menos que 10
carros. O feito não é muito lembrado talvez pelo fato de na época haver um
disparate muito grande entre as três melhores equipes (Williams, Benetton e
McLaren) e o restante com carros bem inferiores (incluindo a Ferrari!). O
Rubinho chegou a ocupar o segundo lugar, mas acabou tendo problemas no carro,
abandonando a prova quando estava em quarto lugar.
A corrida foi uma
verdadeira corrida maluca, com o Alain Prost fazendo nada mais nada menos que
mais de 5 pit stops para troca de pneus. Isso porque toda hora chovia e parava
de chover. Senna e Rubens Barrichello optaram por insistir ora com os pneus de
chuva, ora com os pneus secos e se deram bem. Nem mesmo dois desastrosos pit
stops da McLaren de Ayrton Senna impediram a sua vitória.
Confira aqui o vídeo da primeira volta dessa corrida: download
Confira aqui o vídeo da chega dessa corrida: download
O mais curioso desta
corrida é o troféu. O troféu era nada mais nada menos do que o Sonic! Isso
mesmo! Um Sonic! Na hora de receber o troféu o Senna dá uma estranhada no mesmo,
provavelmente por desconhecer o ouriço, e logo depois o recebe e levanta ao
alto! Este troféu era apenas uma ação de patrocínio e depois foi entregue
ao piloto um troféu normal para a sua coleção pessoal.
Pois bem, o troféu do Sonic teve seu paradeiro
desconhecido durante vários anos, até mesmo havendo a desconfiança de que havia
se perdido. Em 2018 quando um usuário comentou do troféu no Twitter e equipe
McLaren respondeu que o troféu estava guardado, pondo fim ao mistério de que o
troféu havia se perdido...
Em 2020, embalado com o sucesso do filme do Sonic, os
fãs pediram que a equipe McLaren voltasse a exibir o troféu do Sonic em sua sede
e o pedido foi atendido!
Em 2023, celebrando a tríplice coroa (vitória nas 500
milhas de Indianápolis, GP de Mônaco e Le Mans), a McLaren decidiu colocar o
troféu em exibição junto com o carro de Senna (não ficando claro se
permanentemente ou se apenas para tirar foto). Vale ressaltar que esse troféu
nunca ficou com o Senna porque por contrato da McLaren, os troféus ficavam com a
equipe, de modo que o piloto levava uma réplica ou negociava com a equipe para
levar o troféu para si. Não é possível saber se o Senna recebeu uma réplica
deste troféu ou se recebeu um troféu tradicional. Os fãs reconheceram que o
braço do Sonic está em posição diferente, o que leva a deduzir que o troféu se
quebrou e foi colado ou que foi mesmo refeito. A McLaren nunca esclareceu a
respeito.
Voltando à corrida de
1993, veja esse texto
tirado do Blog
Velocidade:
Uma tarde chuvosa e fria no circuito de Donington
Park, Inglaterra. Cenário ideal para Ayrton Senna mostrar sua
habilidade em condições adversas. Não importava que sua McLaren, em
1993, não fosse párea para a magnífica Williams-Renault de Alain
Prost, nem que seu motor Ford fosse de uma versão anterior ao engine
da Benetton de Michael Schumacher. Senna estava pronto para mostrar
ao mundo que ele ainda era o melhor e que merecia a chance de
pilotar um carro à altura de seu talento.
As posições de largada foram decididas no treino oficial de sábado,
disputado em pista seca. Sem maiores dificuldades, Alain Prost
cravou a pole, seguido por seu companheiro na Williams, Damon Hill.
Senna ficou em quarto, atrás de Schumacher: com isso, Prost começou
a cantar vitória, dizendo que as ultrapassagens na chuva seriam
difíceis.
Não para Senna. Quando a luz verde
foi acesa, debaixo de uma fina garoa, Senna iniciou o que foi para
muitos a mais incrível volta da história do automobilismo. Uma lição
antológica de como controlar um Fórmula 1 no limite da aderência,
sem visibilidade e contra adversários mais bem equipados.
O francês saiu na frente, seguido por Hill. Senna
foi espremido por Schumacher e jogado para a zona de saída dos
boxes. Com isso, ambos perderam a terceira posição para Karl
Wendlinger. Mas Senna logo ultrapassou o austríaco da Sauber por
fora. Numa velocidade fora do comum para aquelas condições, Senna
chegou em Hill na curva McLeans e o deixou para trás sem
dificuldades na curva seguinte, a Coppice. Abusando do controle de
tração “fly by wire” da McLaren, Senna vinha de lado, corrigindo a
direção como se pilotasse um kart.
Prost olhou no retrovisor e se assustou ao ver o
carro branco e vermelho. Sempre soube o quanto Senna era bom no
molhado. De repente, viu o bico branco da McLaren à sua direita ao
contornar o grampo Melbourne, a última curva do circuito. Senna
freou e contornou a curva com maestria, completando a primeira volta
na liderança.
Na corrida em diante Senna troca de pneu por cinco
vezes, um Prost desesperado tentando se manter na pista molhada
troca oito vezes.
Chove e pára de chover umas trinta e cinco vezes.
Num dos pits a Mclaren faz cagada e Senna fica mais de vinte
segundos no pit. Prost volta a liderar, mas Senna consegue andar na
chuva com pneu de seco mais rápido que Prost com pneu de chuva.
Barrichello, que impressionou, acabou sem
completar a prova com quebra de seu carro a quatro voltas do final.
já Senna venceu de maneira espetacular. O pódio foi formado por um
eufórico Ayrton Senna junto com Damon Hill e um conformado Prost.
Aliás em uma entrevista, uma vez, Prost disse que
foi depois dessa corrida que ele decidiu que era a hora de se
aposentar, pois percebeu que já não tinha mais o mesmo ritimo de
antigamente, e assim não teria mais como acompanhar Senna.
Curiosidade
Em uma entrevista
realizada pro Frank Williams em 1993, o chefão da equipe Williams comenta que os
patrocínios, especialmente da Sega e da Rothmans foram fundamentais para a
equipe não se afundar em dívidas, nesta época, em que diz o chefão, que muitas
equipes mal conseguiam pagar os gastos de deslocamento. Quem é fã de Fórmula 1
sabe o que isso significa, porque equipes garageiras, que não são ligadas a
montadores, possuem mais dificuldade para se manter nas pistas, além de
dependerem mais de patrocínios. Em geral, essas equipes são as que mais se
dedicam à esportividade da Fórmula 1.
Fotos 1993
A provocação de Ayrton Senna
Essa pouca gente sabe. A Williams já vinha bem 1992 e 1993 (embora em
1993 não tanto quanto em 1992), o que incomodava muito o brasileiro Ayrton
Senna. Após ter brilhado no GP da Europa, Ayrton Senna provocou de forma bem
humorada ao seu rival Alain Prost, da Williams: Senna inseriu na sua McLaren um
adesivo de um... ouriço atropelado! Uma clara referência ao Sonic, que estava
estampado nos carros da Williams. Confira na imagem acima.
Temporada de 1994
Poucos falam do papel da Sega na temporada de 1994 de Fórmula 1. Essa
temporada foi marcada pelo trágico acidente que levou à morte de Ayrton Senna, a
bordo da equipe Williams, tendo sido substituído primeiro por David Coulthard e
depois por Nigel Mansell. A equipe Williams em 1994 corria com Senna e Damon
Hill. No ano de 1994 a parceria da Sega com a Williams foi retomada a partir do
GP da Europa daquele ano, já após a morte de Ayrton Senna. Com um patrocínio
muito mais discreto, nada era exibido no carro, sendo que a Sega fez apenas um
patrocínio pessoal ao inglês Damon Hill, que passou a contar em seu macacão com
um logo da Sega no braço esquerdo. A parceria durou até o fim da temporada.
O campeão de 1994 foi o alemão Michael Schumacher, maior vencedor da
história da Fórmula 1.
Um ouriço na Fórmula
Indy (Cart 1992)
E após tantos anos de site, um visitante (William Daniel) nos mandou uma
curiosidade muito interessante. Além do patrocínio à equipe Williams nas
temporadas 1993 e 1994, a Sega tambem patrocinou um time da principal categoria
de monopostos americana: a Fórmula Indy (na época da cisão da categoria, que
tinha duas subdivisões: a Indy Race League, menos popular no Brasil e a CART,
mais popular no Brasil, "Fórmula Mundial"). O patrocínio se deu na CART. O patrocínio foi à equipe Dick Simon Racing,
que correu na CART até 1995 e na IRL de 1999 adiante. A participação foi muito
mais da Sega do que propriamente o Sonic, mas ainda assim o ouriço estampava o
carro. Como a Indy conta com mais de um patrocinador ao longo do ano, não
sabemos precisar quando exatamente ocorreu o patrocínio (as informações da
Internet são muito avulsas), mas é certeza que o fato se deu antes do
patrocínio da Sega na Fórmula 1, tendo sido no ano de 1992 com um
brasileiro: Raul Boesel, cuja melhor colocação foi o segundo lugar na corrida de
Detroit. O carro correu com o patrocínio da Sega nas 500 milhas de Indianápolis.
Confira as fotos acima!
Em mais pesquisas na Internet localizamos o carro acima, que não sabemos
em que equipe se passou, com um patrocínio exibindo apenas a Sega, sem o Sonic.
Como as fontes de Indy no Brasil são escassas, não sabemos se foi na CART ou na
IRL.
Um ouriço na MotoGP
E não é apenas nos carros monopotos (F1 e Indy) que o Sonic/Sega
apareceu. A Sega também patrocinou algumas equipes na MotoGP, categoria de
corridas de moto. Conforme nosso visitante William Daniel, o patrocínio era ao
piloto japonês Norifumi "Norick" Abe (1975-2007), não sabemos de que ano são as
fotos.
Temporada 2024 de
MotoGP e F1 - Publicidade do Sonic
O ano de 2024 contou com publicidade do Sonic, através da plataforma
Paramount (para divulgação da série Knuckles e do Sonic o Filme) em uma série de
corridas na temporada da Fórmula 1 e MotoGP. Fique com as fotos primeiro da
MotoGP, em que o Sonic apareceu na cerimônia pós-corrida, interagindo com os
pilotos:
Na Fórmula 1, a ação começou no GP de Miami e durou uma série de
corridas:
O mais curioso foi que no pódio do GP de Miami, Lando Norris,
piloto da Mclaren, comentou algo sobre o Sonic, que foi captado pelo microfone,
demonstrando que o piloto conhece a série. Alguém vestido do personagem não
apareceu na F1.
Por fim, ainda em 2024, o instagram da F1, relembrou a aparição do Sonic
na Fórmula 1:
Diga não ao plágio, cite a
autoria!
Por: HKº
Colaborações de William Daniel
Atualizado em:
15/03/2025